Um dia para se encantar por Milão, na Itália

Matar o tempo em uma cidade aguardando uma longa conexão ou um voo que vai sair só no final do dia pode ser extremamente entendiante. Não se a espera for em Milão. A pomposa capital da região da Lombardia foi o último destino durante nosso mochilão pela Europa. Chegamos no raiar do dia após uma longuíssima viagem de ônibus que começou em Viena, na Áustria, passou por Munique, na Alemanha, e atravessou a noite por um pedacinho da Suíça até desembarcarmos no norte da Itália.

O início da nossa jornada intensa foi na estação Lampugnano. Tivemos que esperar alguns minutos até que ela abrisse e os trens entrassem em circulação. De lá pegamos o metrô até a estação central de Milão. Uma construção impressionante pela grandeza e beleza. A Milano Centrale merece um bom tempo para ser explorada. Lá procrastinamos umas boas duas horas tomando café, checando as redes sociais, descansando e planejando o que fazer.

milano centrale

Quando o dia já estava fervendo decidimos então sair para conhecer a cidade. Deixamos as malas em um locker na própria estação. Se precisar fazer o mesmo, prepare o bolso para gastar uns bons euros. É de chorar, mas é a única solução para poder andar com as mão livres. Aliás, o locker da estação de Milão foi o mais caro – e abusivo – que usamos durante toda a viagem.

Aproveitamos para conhecer melhor as instalações da estação. Ela lembra muito bem um shopping, com bancos, lojas de roupas de marcas famosas, perfumes, maquiagem, entre outros setores. Uma opção interessante para quem tiver euros sobrando.

Da estação caminhamos na direção da Corso de Buenos Aires. Umas das vias de compras mais badaladas da cidade. Para nossa surpresa, o movimento estava tranquilíssimo. Mal sabíamos que tinha um motivo que explico já já.

A Corso de Buenos Aires abriga mais lojas, cafés, restaurantes, gelaterias para comprar, descansar, se alimentar e ir se ambientando com o clima local. Seguindo em frente, já na Corso Venezia, passamos pelo Museu Cívico de História Natural de Milão. Os anúncios indicavam algumas exposições interessantes, mas cansados da viagem e de tanto entrar em museu, nem cogitamos o passeio. Quem sabe não sirva para você, especialmente se estiver com criança. Faça uma consulta antes.

Famosa pela semana de moda, aos poucos Milão foi ganhando a aura como ela é conhecida. Chegando na região central tudo ficou ainda mais elegante e luxuoso. As lojas ficaram ainda mais incrementadas e mais chiques.

O ápice do passeio talvez seja entrar na Corso Vittorio Emanuele II e chegar ao coração da cidade: a Piazza del Duomo.

duomo milão

Foi somente lá que descobrimos que aquele dia (6 de janeiro) estava sendo comemorado a Epifania del Signore. Feriado tradicional na Itália, celebrado 12 dias após o Natal, que lembra a primeira manisfestação da divindade de Jesus com a visita solene dos três reis magos. A feira natalina da praça ainda nem tinha sido desmontada. Então aproveitamos para comer um saboroso arancini preparado na hora.

A praça tem o Duomo como principal atração. Construção gótica iniciada no século XIV, a catedral da cidade é imponente por fora e arranca suspiros por dentro. Uma das mais belas igrejas que passamos pela Itália. A entrada, controlada rigorosamente por militares, estava liberada. Pudemos percorrer boa parte do interior e olhar com calma todos os detalhes. Um lugar suntuoso.

Dalí, bem coladinho no Duomo, entramos na Galleria Vittorio Emanuele II. Outra maravilha da arquitetura milanesa. Com mais lojas de grife, livrarias e restaurantes, a galeria é também um dos símbolos da cidade, lembrada em cartões postais. A estrutura em ferro e vidro tem um colorido especial destacada ainda mais em um lindo dia de sol e céu aberto.

galleria vittorio emanuele milão

Depois de ficarmos encantados pela catedral e pela galeria, fizemos uma pausa para descansar na Piazza della Scala, em um banco ao lado da estátua em homenagem a Leonardo da Vinci, uma das figuras mais notáveis da Itália. Dá praça é possível avistar e visitar, claro, o Palazzo Marino, a Gallerie d’Italia e o famosíssimo Teatro alla Scala.

Revigorados após um breve descanso, tomamos a Via Dante na direção do Castello Sforzesco. Uma fortaleza majestosa construída no ano de 1368. Muito da história de Milão pode ser descoberta visitando o interior do Castelo. Para quem tem pressa e quer apenas admirar, é possível circular pela estrutura.

Castello Sforzesco Milão

Cruzando a fortaleza, chegamos até um imenso jardim. O Parco Sempione ocupa uma extensa área verde, com um lago, usada pelos moradores para caminhar, correr, relaxar, fazer piquenique e tantas outras coisas para aproveitar o espaço tão agradável.

Uma atração imperdível em Milão é visitar o quadro “A Última Ceia”, de Leonardo da Vinci. A obra está exposta na Igreja Santa Maria delle Grazie (Cenacolo Vinciano). Mas atenção, é preciso comprar o ingresso com dia e hora marcados com uma antecedência de três meses.

ultima ceia leonardo da vinci

A jornada pela capital da Lombardia poderia ser maior não fosse nosso desgaste. Por conta do horário e da cautela para chegar até o aeroporto, pegamos o metrô na frente do Castello Sforzesco, na estação Cairoli, de volta até a Milano Centrale.

De volta com nossos mochilões, seguimos da estação central de ônibus até o Aeroporto de Milão (Malpensa – MXP). A viagem que saiu por 8 euros (cada bilhete) levou cerca de 50 minutos.

Quase chegando no destino, da janela do ônibus foi possível ter uma bela vista dos Alpes. Uma paisagem espetacular no adeus ao Velho Continente e uma despedida em alto estilo da Itália. Era hora de voltar para o Brasil.

 

*Imagens: Arquivo Pessoal e Pixabay

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