Europa de trem ou avião?

Essa foi uma dúvida que eu tive na hora de planejar minhas viagens. Todo mundo fala em descobrir a Europa de trem e tudo mais, mas acho que nem sempre essa pode ser a melhor opção. Já tive experiências boas e ruins em ambos os casos, por isso, resolvi relata-las aqui.

O mais importante na hora de escolher como se locomover entre os países é observar a distância entre os lugares e o tipo de transporte disponível.

Trem: nem sempre a melhor opção

O meu “trauma” com viagens de trem ocorreu em 2008. Quando eu e meu pai estávamos viajando e encaramos o trecho Roma-Lausanne na Suíça. Basta olhar no mapa pra saber que essa viagem é beeem longa, mas na época não nos atentamos para isso. Na verdade o objetivo aqui era dormir no trem para “economizar” uma noite no hotel.

Acontece que o trem era péssimo. A cabine minúscula e para seis pessoas (e suas malas). Ocorre assim: três assentos de um lado e três do outro para todo mundo ir sentado. Como o trecho era noturno esses dois bancos viravam duas “camas”. É um pouco complicado de explicar, mas resumindo: se uma pessoa quisesse dormir todas teriam que dormir.

As “camas” eram superestreitas e nada confortáveis e a última (em que nós ficamos) era muito perto do teto. Impossível ficar sentado. Enfim, não sei se esse mesmo trem ruim ainda faz esse trecho e não me lembro quantas horas de viagem foram. Só sei que foram mais de sete e não valeu NADA a pena.

Caminha nada confortável no trem

Nosso destino final era Paris. De Lausanne pegamos um outro trem (esse excelente) para lá com mais 4 horas de viagem. Esse último trem era expresso, bem mais rápido e com poltronas confortáveis. Algumas de frente para outra com mesinhas e tal. Desses que estamos acostumados a ver em fotos.

O “trem bom”, literalmente, que nos levaria até Paris

Um trecho que vale muito a pena fazer de trem é Londres-Paris. Comprando com antecedência fica bem barato. A viagem é muito rápida, umas 2h, e o trem é ótimo.

Indo de Londres a Paris com o trem da Eurostar

Minha opinião: Viagens de no máximo 4 horas, com trens expressos valem muuuito a pena. Com trem você não precisa chegar com uma ou duas horas de antecedência do embarque. Muitas vezes os bilhetes podem ser impressos em casa e não tem toda aquela dor de cabeça de despachar mala e etc. O próprio trem tem um espaço para você colocar a bagagem e você será encarregado disso.

Mas atenção: não exagere nas malas. Já pensou você sozinho ou sozinha com duas ou três bagagens para entrar e sair do trem, além de se deslocar até a estação? Ah as estações são outro ponto positivo. Elas sempre são bem localizadas e podem ser acessadas de metrô. Super prático.

Aviões e low-fare

Já os deslocamentos de aviões eu indico para grandes distâncias. Por exemplo, nas minhas últimas viagens fiz Paris-Roma, Roma-Londres, Paris-Barcelona, Barcelona-Londres tudo de avião, pela EasyJet.

Apesar de uma low-fare o avião da EasyJet é ótimo (nunca viajei pela popularíssima Ryanair, por isso não posso falar sobre ela). Na EasyJet tem lugar marcado, mas nada de “mimos”. As comidas e bebidas são pagas a parte. Aliás, tudo é pago a parte. Tem bagagem? Tem que pagar. Mala de mão? Só pode uma. E essas regrinhas são levadas a sério.

Ou seja, eu não posso embarcar com mais de um volume de mão. Isso significa que se eu estiver com uma mochila não posso entrar com a minha bolsa de todos os dias. Mesmo sendo pequena. Além disso, as malas de mão são medidas na hora do check-in e na hora de embarque. Não adianta querer ser espertinho e comprar um monte de coisa depois do check-in porque você não vai embarcar. Eles pegam no pé mesmo.

A dica? Compre sempre uma bagagem a mais na hora de comprar a passagem se você acha que não vai ser econômico nas malas. É bem mais barato do que comprar no balcão e evita dores de cabeça na hora da viagem.

Eu não fiz isso da última vez e tive que desembolsar 30 euros em cada trecho pra despachar uma suposta mala de mão que ficou lotada com o passar dos dias.

Por esse motivo é bom ficar bem atento para saber se a viagem com low-fare vale a pena. São tantas taxinhas que as vezes fica mais em conta voar com uma companhia normal. A não ser claro que você ache passagens por 2 euros e etc como eu já vi por aí. Em geral, vale a pena, mas não custa cotar em todos os lugares né?

Outro fator importante: viagens de avião significam um dia praticamente perdido de viagem. É preciso chegar bem antes no aeroporto e, geralmente, os aeroportos são longe. Importantíssimo: pesquise MUITO antes os deslocamentos até os aeroportos. Já paguei mais caro em passagem pra chegar em um aeroporto mais perto e não me arrependo.

No trem que vai do aeroporto Fiumicino até o Termini, no centro de Roma

Em geral, os aeroportos mais distantes tem as tarifas mais baratas. Mas lembre-se que você vai ter que pagar por um trem, transfer ou ônibus para chegar ou sair desses aeroportos e esses transportes não são muito baratos. Muitas vezes custam o mesmo que a passagem de avião.

Outra dica. Vai chegar em um aeroporto distante e não conhece a cidade ainda? Voe de dia. Acho sempre bom evitar voos muito tarde e também muito cedo. Não adianta nada comprar um voo que sai as 7h da manhã para “aproveitar” o dia no destino e ter que acordar as três para estar no aeroporto a tempo.

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