55 coisas que você precisa saber sobre a Itália

A Itália é o destino certo quando você programar uma viagem cultural, com ricas experiências gastronômicas, além de um banho de conhecimento em museus, catedrais, cidades históricas e paisagens deslumbrantes. O Sergio Quintanilha conta 55 fatos que precisamos saber antes de descobrir esse apaixonante país europeu.


1. Sem as contribuições da Itália, o mundo seria um lugar pior. As soluções de engenharia do Império Romano, especialmente na infra-estrutura das cidades e estradas, bem como o conhecimento que veio das ideias renascentistas, nas artes, na astronomia e na ciência, moldaram nosso estilo de vida atual.

2. Quando os italianos dizem que a Itália é o país mais belo do mundo, não estão exagerando. Nenhum outro lugar no planeta é tão abençoado com paisagens deslumbrantes em todas as suas regiões (mas, nesse post, vou focar em Roma, Assis, Toscana, Veneza e Milão, que fizeram parte de meu último roteiro).

3. Você pode voar do Brasil diretamente para a Itália de duas formas: pela Alitalia ou pela Latam. Pela Alitalia, os voos partem de São Paulo e do Rio de Janeiro e vão direto para Roma. Pela Latam, os voos saem de São Paulo e pousam em Milão ou Roma. A viagem dura cerca de 12 horas.

4. Não espere da Alitalia a excelência da culinária italiana se estiver viajando de classe econômica. A companhia aérea de bandeira do país está em dificuldades financeiras (pode ser comprada pela Lufthansa, da Alemanha) e precisou abrir mão de sua especialidade. Além disso, às vezes o avião é velho, o que prejudica o conforto a bordo devido ao mau estado das poltronas. Por outro lado, na Latam é difícil encontrar promoções.

5. Italianos não falam inglês nem portunhol e desprezam quem fala assim. “Ciao” é oi e não adeus, cuja palavra correta em italiano é “arrivederci”. E “cornetto” não é sorvete, mas sim croissant.

6. O italiano do norte (Milão e Turim) é considerado mais esnobe do que os do centro (Florença), da capital (Roma), mas todos são extremamente impacientes e grossos quando se vêem diante de um problema que não lhes pertence.

7. A maneira mais barata de explorar a Itália é de trem ou de ônibus, pois o uso do carro é bastante limitado nas cidades, especialmente nas regiões centrais de cidades como Roma, Florença e Bolonha. Naquelas que são amuralhadas, como Assis, San Gimignano e Lucca, é proibido entrar de carro. E o estacionamento é caro (pode chegar a 32 euros por noite). Por outro lado, viajar de carro pelas estradas é a maneira mais bonita de conhecer a Itália.

8. Se estiver viajando de carro, não pense que qualquer posto de gasolina é também um lugar para tomar café, comer um lanche ou comprar balas e chocolates. Muitos postos têm só as bombas de abastecimento. Os que têm conveniência possuem placas indicativas nas estradas.

9. Nos pedágios, cuidado para não entrar nas passagens “telepass” (placa amarela) ou “carter” (placa azul); para pagar com dinheiro, é preciso entrar nas passagens “biglietto” (placas brancas). O pagamento é feito na saída da estrada, de acordo com a quilometragem rodada.

10. Carro mínimo (de dois lugares) é o máximo. Especialmente para rodar nas ruas centrais de Florença, Roma e Bolonha, por exemplo. Por isso, além das Ferrari e dos Lamborghini, a Itália é famosa pelos carros pequenos, como o Fiat 500 (Cinquecento), o Lancia Ypsilon e o Smart Fortwo.

11. “Prego” é a expressão mais utilizada pelos italianos. Oficialmente, significa “de nada”, mas na prática pode ter mil e um significados, como “ok”, “valeu”, “to sabendo”, “sem problemas”, “bom”, “disponha” etc.

12. O café espresso custa 1 euro em qualquer lugar, ao contrário da água, de pode custar até 2,50 euros. O espresso “curto” cobre cerca de um dedo e meio da xícara pequena e é fortíssimo. O espresso “lungo” tem uns 2 milímetros a mais e também é forte. Para um café mais leve, o ideal é o “machiatto”, que é coberto pela espuminha do leite.

13. Depois de tomar um cappuccino na Itália, cremoso e delicioso como em nenhum outro lugar, você passará a desconfiar que a mistura de café e chocolate que servem no Brasil pode ser tudo, menos um cappuccino de verdade.

14. A Toscana é mais romântica do que Paris, mas em nenhum lugar da Itália você pode ficar horas na mesinha tendo bebido apenas um café, como na capital da França.

15. Um lugar bom para se hospedar de forma barata e honesta em Roma é o Hotel Barberini (https://www.hotelbarberini.com). O local tem uma estação de metrô que leva diretamente para o Vaticano e outros pontos turísticos, fica perto da estação Termini (onde chegam os trens de outras cidades), está estrategicamente situado entre a Fontana di Trevi e a Piazza di Spagna e de lá dá para ir a pé até o Coliseu e ao Fórum Imperial.

16. Se quiser fazer compras em Roma como um bom romano, o outlet Castel Romano fica na estrada, a cerca de 25 km do centro, mas o shopping principal só tem marcas famosas e não é barato; no entorno existem outras opções. Apesar de ser turística, a Via del Corso ainda guarda boas opções de roupas.

17. Ao lado do Castel Romano fica o Cinecittà Studios, um lugar pouco procurado por brasileiros, mas que é a Hollywood da Europa, de onde saíram filmes como “Ben-Hur”, “A Doce Vida” e “Era Uma Vez no Oeste”.

18. Se quiser fazer uma viagem de compras, vá para os Estados Unidos. Se quiser uma viagem cultural, com ricas experiências gastronômicas, além de um banho de conhecimento em museus, catedrais, cidades históricas e paisagens deslumbrantes, a Itália é o seu destino.

19. Não saia de Roma sem passar um tempo sentado nas escadarias da Piazza di Spagna e sem conhecer os Museus do Vaticano. Mesmo que você não seja católico, a quantidade de obras que existem ali é impressionante. E, desde que não queira fazer fotos, a visita à Capela Sistina completa o programa. Nos dois casos, os bilhetes têm que ser comprados antecipadamente, com visita agendada. Não vale a pena pagar guia. Reserve aqui: https://www.rome-museum.com/br/vaticano.php.

20. O Coliseu é mais famoso e lá dentro teve até batalhas navais de verdade, o que mostra a que nível chegou a engenharia no Império Romano, mas ainda mais impressionante é o Pantheon. Por ficar “escondido” no centro da cidade, perto da belíssima Piazza Navona, o Pantheon tira o fôlego de quem o vê pela primeira vez. E a sua cúpula gigantesca, a mais de 43 metros do chão, é uma obra-de-arte da arquitetura romana – tem quase 2.000 anos e ainda é a maior cúpula de concreto não reforçado do planeta.

21. A pizza italiana é muito mais leve do que a brasileira, com massa mais fina e mais crocante, e cobertura sem exageros. Ela pode vir em tamanho individual ou normal. Mas, apesar de a normal ser bem menor que a nossa, uma pizza dá para dois.

22. Se estiver calor, duas bebidas muito recomendadas são a “birra” (cerveja) Moretti, que é feita com puro malte, e o Limoncello (um delicioso licor de limão tradicional da Costa Amalfitana). A popular cerveja Nastro Azzurro é tão ruim quanto as nossas Skol, Antarctica e Brahma. Se estiver frio, “chocolate caldo” (nada a ver com o nosso chocolate quente, que é Toddy ou Nescau) ou vinho, a qualquer hora, qualquer um. Um “bicchiere” (taça) custa 4 euros.

23. Ir a Roma e não ver o papa é pecado desde que ele passou a ser o Papa Francisco. Acima das religiões e dos dogmas católicos, Francisco sai às ruas para alimentar os pobres e faz um pequeno sermão de sua janela do Vaticano, aos domingos, ao meio-dia. Para quem é católico, logo depois da mensagem do Papa dá para assistir uma missa no Vaticano. É só dizer que vai participar da missa na parte que fica fechada aos turistas – e ela é muito bonita, rezada em italiano e cantada por um coral do Vaticano.

24. Do Papa Francisco a São Francisco de Assis é um pulo. Assis fica na Umbria, a 174 km de Roma, e é uma das cidades mais lindas da Itália. Fica no alto do Monte Subasio, toda amuralhada. A igreja de São Francisco foi construída em cima da antiga igreja de pedra, de forma que visitar a basílica interior é surpreendente. E abaixo dela ainda tem mais uma capela simples, também de pedra, onde fica o túmulo do santo, canonizado em 1228.

25. Florença é a capital da Toscana, mas nem pense em ficar apenas nela ou simplesmente passar por lá. Perto de Florença ficam cidades lindas e mágicas, como Siena, San Gimignano e Lucca, além de Pisa, que só tem a torre inclinada mesmo, tipo viu, faz uma foto e tá visto.

26. Nenhuma cidade da Itália, nem mesmo Roma, é tão rica como Florença em termos de conhecimento. Lá ficam a estátua de David de Michelangelo, os museus de Leonardo da Vinci e de Galileo Galilei, além das imponentes catedrais de Santa Maria del Fiori e Santa Croce, onde estão os túmulos de Maquiavel, Michelangelo e Galilei.

27. Se você não sabe quem foi Filippo Brunelleschi, nunca mais vai esquecer desse arquiteto renascentista depois de ver a impressionante catedral de Santa Maria del Fiori, que é decorada com os próprios mármores brancos de Carrara, verdes de Prato e vermelhos de Siena, mas cuja enorme cúpula não tinha projeto enquanto a igreja estava sendo construída, pois necessitava de técnica e tecnologia totalmente desconhecidas. A solução foi criar um concurso público. Brunelleschi apresentou-se prometendo uma solução genial para o projeto de Arnolfo di Cambio. E assim foi feito. Lá dentro cabem 30 mil pessoas.

28. Até hoje ninguém sabe como Brunelleschi construiu a cúpula de Santa Maria del Fiori, pois quando ele morreu havia queimado todos os seus arquivos e projetos, não deixando uma única dica sobre como venceu o concurso público para cobrar a enorme catedral. Até hoje, a cidade para no dia 15 de abril para lembrar o aniversário de sua morte. Veja o vídeo aqui: https://www.youtube.com/watch?v=_IOPlGPQPuM

29. O mercadão de Florença não é tão grande e variado como o de São Paulo, mas seu mezanino é insuperável. Em toda a parte de cima funciona uma praça da alimentação gigante, com massas, frango com batata, o famoso filé florentino, pizzas, sanduíches, doces, vinhos, cervejas e cafés.

30. O filé à florentina é caro. Dá para duas pessoas, mas dificilmente custa menos de 50 euros, fora os acompanhamentos e bebidas.

31. Florença tem um trânsito difícil, por isso a cidade é dominada por carros pequenos, scooters e bicicletas.

32. É possível passear no clássico Fiat 500 (Cinquecento) ou no lendário scooter Vespa nas cidades próximas a Florença. Mas custa caro. Para alugar um “Cinquecento” da primeira geração custa de 75 a 105 euros por pessoa/dia. Dá para ir até quatro pessoas, bem apertadas. Para passar de Vespa, o valor é de 75 euros por pessoa/dia. Contatos para aluguel: http://www.500vintagetour.com/ e https://www.mytours.it/pt/tour/lucca/vespa-chianti-tour.

33. Lucca é uma das cidades mais surpreendentes da Toscana. Existe uma cidade normal e a cidade amuralhada. Lá dentro não é possível entrar com o carro, que fica estacionado em uma das entradas. A caminhada por suas ruelas medievais vale muito a pena, mas o melhor mesmo é ficar uns dois dias hospedado lá. Cafés, lojas, restaurantes, 100 igrejas (isso mesmo!), música, arte e muito charme desfilam dentro de Lucca – uma oportunidade única para saber como é a vida sem carros, só com bicicletas e pessoas.

34. Ir à Toscana e não visitar o Museo Ferrari em Maranello é como ir a Roma e não ver o Papa. Um pecado. Mesmo para quem não curte automóveis, a coleção de máquinas maravilhosas, do passado e do presente, das estradas e das pistas, é de tirar o fôlego. Custa 16 euros e parece uma viagem tempo. Para os mais apaixonados, ainda é possível alugar uma das muitas Ferrari que ficam nas lojas em torno do museu. Custa 120 euros e dura menos de meia hora. Só vale para quem tem dinheiro sobrando, pois as estradas são apertadas, de mão dupla, com bastante movimento, e vai uma pessoa do lado para segurar seu ímpeto.

35. Come-se bem e relativamente barato na Itália em qualquer lugar do país. Um prato de risoto ou de massa sai em média por 10 euros em bons restaurantes ou até menos nos mais simples.

36. Não ouse colocar queijo no risoto ou catchup na pizza. No primeiro caso, os italianos consideram uma ofensa, pois a comida é sempre muito bem preparada; no segundo, vão achar que é mau gosto mesmo. Na hora de receber, eles não têm pressa. Se demorar demais, levante e vá embora que eles vêm correndo atrás.

37. Os cafés da manhã nos hotéis costumam ser bem servidos e os funcionários são mais amáveis do que a população em geral. Mas as camareiras não têm o menor pudor em dar uma única batida na porta e entrarem no quarto, às vezes vendo cenas pouco recomendáveis para crianças.

38. Não ande de tênis e calça jeans em certos lugares de Milão, caso não queira passar vergonha. Os italianos são elegantes, usam sapatos (homens) e botas (mulheres), e em Milão, a capital da moda, esse nível é bastante elevado.

39. Os três maiores times de futebol da Itália ficam no norte do país: a Juventus (Turim), o Milan e a Internazionale (Milão). Mas, apesar da enorme rivalidade entre o Milan e a Inter, os dois times dividem o mesmo estádio, que tem dois nomes: San Siro quando joga o Milan e Giuseppe Meazza quando joga a Inter, só que não. Isso é uma lenda. Na verdade, torcedores e jornalistas tratam o estádio como San Siro em jogos do Milan e da Inter, pois é o nome mais popular. Porém, antigos torcedores da Internazionale preferem chamar o estádio por seu nome oficial, Giuseppe Meazza, daí a lenda. San Siro é um bairro de Milão, assim como Maracanã é um bairro do Rio e Pacaembu é um bairro de São Paulo.

40. Voando para ou a partir de Milão, é preciso prestar atenção nos nomes dos aeroportos. Malpensa (MXP) é o aeroporto internacional. Linate (LIN) é o local, usado mais para voos domésticos ou com aviões menores. A Latam opera em Malpensa.

41. Apesar de não serem tão famosos como os TGVs franceses, os trens que ligam as principais cidades italianas também são de alta velocidade. Normalmente o bar fica no vagão número 5, mas é bom checar antes da partida se o serviço está disponível, principalmente em viagens noturnas, pois alguns não têm. Meia garrafinha de vinho tinto a bordo custa 9 euros. Dá para adquirir seu bilhete pelo site http://www.trenitalia.com/.

42. A poucos quilômetros de Milão fica o famoso autódromo de Monza, palco do Grande Prêmio da Itália de Fórmula 1. A corrida acontece sempre no segundo domingo de setembro e os “tifosi” italianos não torcem para nenhum piloto, como nos outros países, mas sempre para a Ferrari, não importa quem esteja ao volante.

43. O nome Vittorio Emanuelle é visto em todos os lugares da Itália, mas em nenhum lugar o nome deste rei, que governou o país de 1900 a 1946, é tão elevado como na majestosa Galeria Vittorio Emanuelle, o endereço mais bonito de Milão.

44. À frente da Galeria Vittorio Emanuelle fica a Catedral Duomo de Milão, uma das cinco mais lindas do mundo. Seu tamanho e sua arquitetura são incomparáveis, com centenas de estatuetas e gárgulas em volta de toda a catedral, numa miríade gótica de tirar o fôlego. Além de admirá-la por fora, é obrigatório visitá-la, pagando 3 euros, pois lá dentro ela mantém sua beleza, com suas colunas espetaculares e uma relíquia da Igreja Católica: um prego da cruz de Jesus Cristo.

45. Uma viagem à Itália não é suficiente para conhecer todo o país, tampouco duas ou três. Pode colocar na conta pelo menos cinco, para começar a explorar todas as belezas e a riquíssima história do país – sem contar a Sardenha, sua ilha paradisíaca, na costa oeste.

46. Veneza é a cidade mais romântica da Itália e, sem dúvida, a mais surpreendente. Por estar numa ilha repleta de canais, que afunda um pouco a cada ano, toda a vida veneziana é um choque cultural para quem a visita. Por isso, é obrigatória.

47. A enorme Piazza di San Marco inunda 250 vezes por ano. Na maioria das vezes, entretanto, a água desce no final da manhã e é possível explorar toda a beleza do local.

48. Existem 10 milhões de estacas de madeira fincadas ao longo de toda Veneza, para sustentar as construções num terreno encharcado. Por isso, apesar da água batendo nas portas, a vida segue seu ritmo dentro da normalidade possível.

49. Suas definições sobre fotos em paisagens bonitas serão atualizadas quando você colocar os pés na Piazza di San Marco, no Grande Canal de Veneza e no cais da piazzeta, ao lado da Ponte dos Suspiros.

50. Passear de gôndola em Veneza é caro, chato e brega.

51. Não vá para Veneza com pouco dinheiro. Você encontrará comida boa e com preços razoáveis como no resto da Itália, mas a beleza do artesanato feito com os cristais de Murano vai deixá-lo com vontade de trazer tudo para o Brasil. É impossível resistir.

52. Murano é uma ilha a poucos quilômetros do centro de Veneza, assim como outras: Lido e Giudecca. Vale a pena pegar um “ônibus” (vaporetto) ou um táxi (que é um barco também) e visitar as três ilhas.

53. As linhas do vaporetto veneziano funcionam como as de um metrô ou ônibus de uma cidade convencional. Não basta pegar qualquer barco. É preciso pegar o vaporetto certo para descer no ponto certo. Um detalhe: cada peça de bagagem paga um bilhete à parte, como qualquer pessoa.

54. Apesar de ser mais caro, vale a pena descer na estação Santa Lucia para quem vai de trem, pois fica mais perto do centro de Veneza. Quem for de trem até a estação Venezia Mestre, que fica no continente, terá que pegar um trem do mesmo jeito, ou ir de ônibus. A viagem entre as duas estações dura cerca de 20 minutos e é quase toda feita sobre o mar.

55. Veneza é absurdamente gelada no inverno e incrivelmente quente no verão, além de ter mau cheiro nessa época. O melhor é visitá-la na primavera ou no outono.

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